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Curva ABC no estoque do restaurante: passo a passo prático

Classifique insumos pelo valor consumido e defina contagem, compra e controle diferentes para itens A, B e C.

Por Zec Express

A Curva ABC define onde prestar mais atenção

Nem todo item merece a mesma rotina de controle. A Curva ABC ordena os insumos pelo valor consumido em um período e mostra quais poucos itens concentram a maior parcela do dinheiro movimentado no estoque.

A classificação não substitui critérios sanitários ou de criticidade. Um item barato que interrompe toda a operação se faltar, ou que vence rapidamente, pode exigir controle mais rígido mesmo estando na classe C.

Escolha um período representativo

Use de três a doze meses conforme a estabilidade da operação. Um período curto reage rápido, mas pode distorcer itens sazonais; um período longo suaviza picos, mas demora a refletir mudanças no cardápio.

Extraia para cada insumo a quantidade consumida e o custo unitário médio no mesmo período. Não misture unidade de compra com unidade de uso: converta caixas, quilos, litros e unidades antes de multiplicar.

Calcule e ordene o valor de consumo

Para cada item, multiplique quantidade consumida pelo custo unitário. Se foram usados 300 kg de proteína a R$ 28 por kg, o valor de consumo foi R$ 8.400. Faça isso para todos os insumos e ordene do maior para o menor.

Some o valor total, calcule a participação de cada item e depois o percentual acumulado. A literatura descreve a Curva ABC pelo valor de uso e ressalta que os limites não são universais; eles devem orientar uma política adequada ao negócio.

Defina A, B e C sem tratar percentuais como lei

Um ponto de partida é colocar na classe A os itens que formam aproximadamente os primeiros 75% a 80% do valor acumulado, na B os próximos 15% a 20% e na C o restante. Ajuste as faixas quando a distribuição ou o risco operacional pedir.

Imagine um estoque de R$ 20 mil de consumo mensal: proteínas, óleo e queijo somam R$ 15 mil e entram em A; embalagens e bebidas somam R$ 4 mil e entram em B; temperos e itens de baixo valor formam o R$ 1 mil restante em C.

Transforme classe em rotina

Conte itens A com maior frequência, revise preço e rendimento, restrinja ajustes sem justificativa e acompanhe fornecedor e ponto de reposição. Para B, use uma rotina intermediária. Para C, simplifique a contagem sem abandonar validade e disponibilidade.

A pesquisa publicada na SciELO mostra que combinar ABC com o padrão de demanda permite políticas diferentes de estoque. No restaurante, giro regular, prazo de entrega e risco de ruptura ajudam a decidir estoque mínimo além do valor financeiro.

Recalcule e investigue mudanças

Recalcule a curva mensal ou trimestralmente e compare movimentações de classe. Um ingrediente que virou A pode ter subido de preço, aumentado de consumo ou sofrido perda; a mudança é um convite para investigar, não apenas trocar uma letra.

Mantenha a classificação ligada ao histórico de compras, fichas técnicas, vendas e inventários. Assim, a equipe usa o resultado para priorizar conferências e negociações em vez de produzir uma planilha que envelhece sem orientar decisões.

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